quarta-feira, 10 de abril de 2013

SOLIDÃO

Nao quero amar o que precede a minha frente.
Quero namorar meu passado e matá-lo em beijos quentes, ardorosos e fagueiros e
que ele morra diante de mim, numa morte adocicada pela dor.
Quero uma morte enfeitada de rosas, margaridas e sempre vivas,
E que o sangue role pelas veias e se espalhe pela mansidão da noite.
Você, meu capataz, é moço bonito, face fagueira, sorriso maroto e é com você que o passado será morto.
Você, meu menino, de calças curtas, estará comigo frente ao desejo amargurado da solidão.
Menino bonito, seja cavalheiro: tire o chapéu pra dama que te aguarda desde criança.
E num beijo molhado, apagarei da memória o menino de calças curtas que invadiu a meninice de uma menina boba.
Boba menina que ainda acredita em gerânios na janela.
Menina boba que acredita no sonho perdido, sonho sonhado que se desfaz na morte passadiça, morte
menina que de madura, mata o sonho sonhado no passado que se desfaz nas folhas de outono.
E a morte se faz quente e colorida na corrida desembestada de um cavalo alado.
Voa, meu cavalo... Apague da vida a morte inexorável da solidão.

 

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