quarta-feira, 5 de julho de 2017

MEDO


Fui morar em Ferros buscando uma adolescência perdida.
Momentos em que não vivi no momento certo.
Encontrava-me entre os muros do internato e das rezas que mal mal entendia!

Ledo engano!
Em princípio foram risadas, passeios e porres- barato que não me satisfaziam: feriam a alma.
Corri das amizades sinceras e envolvi com pessoas que aproveitavam da falsa alegria que domava o coração.

Raras exceções. Amigos reais eu tive e recebi em minha casa, meu paraíso.

Hoje, pago o preço da insubordinação  vazia e trôpega.

Não compreensão dos primos queridos e mágoas acumuladas no peito dos filhos que amo tanto.


Voltei ao ninho. Explodo de vontade de sentir novamente a amizade dos filhos.

O psiquiatra amigo refaz comigo a vida perdida e cambaleante, , refaço o caminho da paz.

Tenho medo. Os exames de saúde alertam o médico e a mim.
Resultado da invigilância e da sensação de eternidade.

Percorro o caminho de volta, em busca da paz, da verdadeira alegria, do sorriso maroto que completava minha vida.

Vou encontrar. Não uma pasmaceira de vida, mas uma vida real sem subterfúgios grotescos e vergonhosos.

Tenho quem me orienta. E, com uma lanterna acesa, ilumina o coração magoado pela minha futilidade.

Claro que tropeçarei. Não sou Deus.
Sou um ser humano que cometeu erros e acredita na infinita beleza do perdão.
E sigo em frente, com a alma iluminada!