quinta-feira, 14 de agosto de 2014

VIAGEM PELO TEMPO

Vivi de madura, na cidade grande.
De pequena, corria pelos campos, fazia vassouras de ramos pra varrer o forno de barro da minha mãe.
Não quero dizer da madureza, pois agora, ando de ré...
De volta à infância, crio galinhas: a madureza permitiu que cultivasse horta e criasse galinhas.
Tem uma vantagem:  de menina, recebia santinho de padre safado...
De madura, bato boca com diácono de merda, que defende o bispo como uma carola.
Coitado! Não sabe o que fala... O cérebro é miudinho diante dos músculos de um macho men...
As imagens dos santos restaurados o perseguem... o Bispo é quem manda...
Ele não sabe que a ditadura já passou e que a Igreja é secular...
Não bate no peito mea culpa. Não sabe o que é isso.
A madureza me permite criar galinhas e, quem sabe comprar patos nas mãos do Cica?
E a cidade , mais que pequena, me acolhe de braços abertos!
Afinal, minha mãe usava creme de alface na pele...
E que delícia é uma alface saboreada pela pele e pelo paladar...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ESPERANÇA


Hoje não quis ninguém ao meu lado, só mesmo o zumbido do silêncio e o ganido manso dos filhotes da Jade.
Sei não!
Estes cãezinhos tem sido minha alegria, até quando confundem meus chinelos com uma teta...
Olho pela janela, converso com as pessoas, ouço calada descalabros absurdos que,
até me esqueço que já me aposentei.
Bituca roe meu dedão e permite que eu pense no amanhã...
Hoje estou bem! amanhã estarei muito mais.
Quem sabe estarei menos amarga, mais esperançosa e aprenderei a ganir?
Quem sabe me farei entender pelos amores que me prendem à vida?
E o uso da boina representa essa verdade, a convicção ou mentira de que está tudo bem;
A constatação que a vida é brisa que sopra de leve pelas areias finas da beira do mar.
A certeza de que nada é mais lindo do que as flores que perfumam meu dia, que o ganido dos cãezinhos que me cercam,
Que a neblina que envolve meu corpo num arrepio de amor.

domingo, 30 de março de 2014

Molejo

Desenrosco o meu cabelo na sombra do acaso
Sinto-me uma enlouquecida à sombra do vazio da imensidão.
Não tem nada não.
O cabelo é liso e a imensidão é poderosa,
Dona do cabelo que se faz teimoso,
Dona da vida que se faz triste. 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Miragem.

Hoje a companhia se fez vazia
Nenhum vocabulário preencheu o vazio da alma
Sou um ser andante, vazio, que não se preenche com nada vulgar.
Uma criatura de carne, feita de gente, e que as praias e os goals se fazem vazio.
Não fico sentida, nem agrado aos corações...
Sou filha de Maria, pedaço daquilo que se perdeu
no vagar da lua...

segunda-feira, 17 de março de 2014

JANELA

Que vejo da minha janela?
Vejo flores, canteiros, borboletas risonhas , pássaros ousados a comer bananas,
E à noite vejo a lua rodando a saia em torno do pedrão...
Ela se faz de garota diante a magnitude do pedrão, que guarda histórias e mistérios de uma cidade.
Da minha janela, vejo a vida que vivo!

domingo, 9 de março de 2014

A moça da janela

A moça da janela, hoje enfrentou as maritacas.
Convidou-as para um café ou um bucado de ração.
A vida sempre surpreende quem chega em sua terra:
Ou você capinou o quintal, ou esperou que alguém capinasse por você.
Mas ofereço minha casa, minha alma a quem me julga forasteira!
Aliás, com raras exceções cheguei antes de vocês...
Quero-as a meu lado, questionando os problemas da cidade, parceiras nas resoluções dos problemas...
O resto é o resto...

domingo, 2 de março de 2014

Carnaval

Estou em Ferros.
A vida corre entre capistranas e meios fios
Entre fios e meios fios , sorrisos educados , pelejados pelo AKA!
Sou feliz entre os mistérios da alma e do silêncio de quem amo.
Os mistérios debulham-se entre batucadas que se fazem silencio, no silencio dos mistérios.
Continuo intocada pela batucada, pelo calar dos tambores , calar que se faz na trajetória da batucada.
Sou amante do do re mi fa sol que se traduz em bálsamo para os ouvidos.
sou amante do buarquejar, caetanear,, silveirar e tudo aquilo que se traduz em sintonia...
O apagão me tirou do sério. Apagou da memória  Chiquinha Gonzaga, a quem amo de paixão, abrindo alas em seu pelejar.Mas vá adiante, mulher
Atropelos existem pra testar sua força, seu desejo, a alma da mulher.
Mulher que se faz perene no AKÁ , até logo,
Vá rezar!