domingo, 28 de setembro de 2014

NOVELOS DE SONHOS


Diante de mim um sonho brinca a rolar na areia,
a despentear cabelos,
a sorrir levado ao fotografar pássaros,
sonho sonhado na imensidão da claridade do sol,
na luminosidade da lua.

Nuvens enovelam se no céu,
formando carneirinhos,.
a brincarem com cães pequenos,
a fazer sombras no pedrão.

Música preenche a casa de sons
e o trinado do violino desperta meus ouvidos.

A rede vagueia de um lado a outro,
no amarelo da luz.

E o menino dorme sonhando com a menina...
menina a balançar os sonhos e a ternura de um coração descuidado.

Descuidado, mas feliz.
Feliz, pois a vida tem jeito,
jeito brando de machucar devagarinho,
o sonho sonhado a rolar na areia branca,
depois do banho no rio.

Não desperte do sonho.
Prolongue-o enquanto pode ;
Acorde quando o sino badalar seis horas,
Com o canto da maritacas
a acordá-la para a realidade que se impõe.

FESTIM DOS PÁSSAROS.


     Andei descuidada pelo quintal,
     a mirar flores e observar pássaros e borboletas.

    O caminho era um só: fugir da solidão a apertar o peito, a gritar surdamente pela saudade a sufocar.
   
    Assim, caminhei em direção ao pé de jabuticabas, ontem coberto de frutos...
    Pensei com minha alma sedenta de memórias de infância:
   amanhã estarão boas!

    Estavam tão boas e doces que os pássaros rejeitaram as bananas e o mamão:
    Em revoada, pousaram na jabuticabeira e,
    entre cantos e gorjeios, fizeram a festa.

    Não havia um fruto pra contar a história de meses de espera, de um tempo longo
    para o fim da solidão.
 
   Volto para casa feliz, mas o peito explode em dor de uma saudade de alguém
   Que não me reconhece mais,
   que não desabrocha em mim as flores da primavera,
   do toque macio da mansidão da noite.

  Continuo na solidão da lua minguante,
  na vastidão de areias a cobrirem minh'alma de paz!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

NOTURNO


  Obscureceu a vida sonhada e vivida de um mano especial,
  na calada da noite...
  Solidão, apesar de amigos a ouvirem seu lamento
  e a tentativa de fazê-lo entender que a vida não é bandida.

Deixa o aconchego do colo que se faz berço,
e o acolhe na doçura do abraço, na quentura do útero a aquecer a vida de bem querer.
Está só, apesar das tentativas ternas de o fazer enxergar a doçura de seu coração.

Sua vida se faz noturno e,
Assim como Van Gogh chora em cachoeiras,
lágrimas a lavarem a escuridão da alma a se sentir perdida...

Amigo, somos um tripé, almas de três pernas a equilibrar na corda bamba da vida,
a dançarmos o ponto de alegria,
a fugirmos da inveja,
essa terrível mal querência,
a invadir o dia que se faz pleno.

Por fim, a noite passou e
as flores junto aos patos a refastelarem na água fria e macia,
fazem de você o florescer da primavera.

Estás livre!

                           Julia Carolina da Cunha, para um amigo especial.


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

BRISA



Observo distraída o vento despentear as folhas do coqueiro:
Nada mais supremo que o movimento do vento a trazer surpresas,
possibilidades de novos encontros,
de encantamento a abalar de ternura o doído coração.

Surpresa numa noite de primavera...
calmaria e furor abalam a estrutura estonteada pela calidez do toque
suave e vigoroso do homem menino.

Menino,
fique enquanto for bom o adormecer e amanhecer recheados de sonhos,
mar, vento, teco teco de esperanças a iluminar de luz o canto do guacho,
a alma do sabiá,

Seja bem vindo, menino de alma doce,
a adocicar de mel o vazio solitário da solidão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

AMAROAMOR

   Sinto o corpo leve e a doçura do abraço,
   abraço a acalentar a vida vivida hoje:
   calor e ternura dos braços acalentados um dia pela minha doçura.

   Cada um que chega representa a energia fulgurante e bela
   Energia a pulular ternura pelos corredores da casa,
   pelos caminhos traçados entre flores,
   flores a abrigar em seus galhos,
   beija flores a buscar mel de pólen em  pólen.


 E o amor é amado a cada gesto,
 a cada sorriso,
 a cada movimento onírico do viver.

 Cada despedida representa o ensaio,
 ensaio tranquilo pela volta,
quando for possível.



 A espera de amaroamor
renova movimentos diários da vida,
movimentos flutuantes, pisadas leves na areia macia,
quando se sente a falta das águas do rio...

O ir e vir da saudade preenche de luz
a rotina doce da vida que se faz presente na ausência de amores.

Enquanto isso, vivo feliz sob o vento leve da primavera.



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

NOITE




Leveza de alma...
Esse é o sentimento que transborda pelos poros da pele,
poros a transcender de alívio,
ao se ver desentupidos de maldades malsãs.

Alma a levitar ao som abençoado de Enya,
Enya , vida a pururucar esperanças...

Esperanças de dias azuis, vítreos pela vastidão da luz.

Dias azuis com o som da chuva a dedilhar no telhado e na alma,
as notas musicais.

Suspiro harmônico como a cor de azaleias, róseas de vergonha de seu amor.
Suspiro profundo e lúcido diante a delicadeza de vitrais coloridos,
reflexos no chão pisado pelo peso das dores carregadas por almas cegas de preconceitos.

Faço e refaço os conceitos que me atormentam a alma.
E no refazer diário, do ir e vir das incertezas,
Estou certa: Deus é leve como pluma, suave como a música a preencher de luz
a escuridão a perseguir a alma criança,
 a navegar pela vastidão da noite.







SOLIDÃO A DOIS



Escreve-se com S a palavra que representa a doçura da vida...
Solidão para quem abriu mão do vazio de encontros desencontrados,
De buscas tolas na vastidão da noite.


Escreve-se com S o nome de Strauss
Sujeito mágico que lhe enche de doçura o furor da solidão
Que se você permitir,
Cega seu viver, apaga a luz bendita a iluminar seu caminho.

Escreve-se com S a palavra saudade,
saudade do que não sei,
daquilo que sinto a corroer de feridas o coração.


Escreve-se com S a palavra solitude,
Solitude que a vagar pela noite solitária,
lhe sufoca com a plenitude do som, música a
preencher de luz o coração,
palavra Sanguínea  que se escreve com C.
C de coração, céu azúleo e carente de chuva,
Chuva a lavar a alma e trazer a calma

Calma a apagar o choro de lamento do rio,
rio a sorrir em suas águas barrentas,
pedindo socorro no vazio da humanidade.

Humanidade desumana ,
a cavalgar,
na plenitude da noite!