segunda-feira, 26 de abril de 2010

Hoje não quero falar da dor que irrompe meus dias.
Quero falar do vinho e do sabor da uva na boca,
assim como o gosto do amor.
Amor que clareia a alma e se faz presente o tempo todo.
Amor que se faz constante quando você cozinha e transforma o essencial
em algo aprazível aos olhos e ao paladar.
A dor, ora, a dor passa assim como passam os bando de maritaca pela sua vida.
A dor, ora a dor, é finita como o breu das nuvens.
A dor é passageira, é um vento leve que se faz presente e logo vai embora.
O vinho deixa na boca um sabor de uva pisada durante o canto da colheita da uva.
A uva se desmancha em prazer pelo fogo do fogão que transforma em gozo a arte de ser feliz...

sábado, 24 de abril de 2010

Enquanto espero

O amor é bálsamo que alivia as feridas do coração
É sentimento inexplicável que conduz a um desejo de viver,
viver o macio das ondas a banharem pés e molhar o rosto misturado em lágrimas.
Andar entre nuvens, viajar pelas montanhas, nadar em cachoeiras, esperar pela lua, essa menina insubordinada que escapole das nuvens que a escondem e se coloca linda no céu!
O amor provoca vertigens, busca lábios entontecidos de prazer,
E se faz presente na vida solitária de hoje...
Teclas do computador trazem a resposta: estou aqui, mulher!
E a mulher se torna corajosa no gingado florido da paixão.
A mulher sabe esperar: Carpe diem!
De minuto em minuto aguarda a maciez das palavras que a fazem viver.
E o coração ferido, se escama em luzes, atropelando a vida que se faz vida...
Júlia Carolina da Cunha. 24/04/10

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Loucos

Corredores putrefatos, pessoas jogadas,
nenhuma diferença para um campo de concentração.
Ando perdida, sentindo-me princesa na imundície:
imundície de sentimentos, de aparência física, de vida!
Pessoas andam buscando pelo vazio, olhares lunáticos como se a lua fosse
algo inatingível.
Sinto medo! O ser humano não merece passar por isso!
Abraço e beijo o meu lunático e mentiria se dissesse que não saí aliviada!
Covarde!
A pessoa que luta pela doença mental encontra-se enjaulada, presa, perdida,
mendigando ginba de cigarro a quem possa oferecer.
Volto pra casa enojada de mim mesma.
Não mereço amor, se fujo da caridade.
Não mereço amor se fujo do meu irmão.
Não mereço amor se fujo de mim mesma!

Loucos

Andei entre loucos, loucos perdidos na solidão
e na perda da sensatez.
Nenhum parecia triste, todos sorriam e deliravam sob o impossível.
Divagavam sobre coisas e sentimentos perdidos ou achados em sua lucidez.
Afinal, que é ser louco?
É perder a razão ditada pelos homens ditos normais?
Entre o movimento da loucura, sai um rabecão.
Algum deles cansou-se da busca diária da normalidade e decidiu voar.
E voou.
O céu estava azul e o sol refletia a indiferença dos companheiros.
Da próxima vez serei eu, pensava um deles.
E eu saí dali acobertada pelo anjo da guarda que secou minhas lágrimas.
Eu fui meu anjo. As mãos acariciaram o rosto para clarear a visão do céu.
O céu é azul e o sol se faz presente até o brilho da lua crescente.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Lobo do homem

Mato um leão por dia.
Alguns são criados por mim, outros não.
Outros são frutos diários da convivência humana,
na triste verdade: homem lobo do homem.
Mas minha alma é leve como pluma.
Não engulo mais sapos e os leões, criados por mim ou reais são pisoteados
com a delicadeza das palavras.
Pra isso serve o divã do guru que acompanha meus passos, um a um.
Nossa conversa semanal ativa neurônios e deixa lúcida a mente louca
da mulher que ama.
Ama com os pés no chão e, de longe acaricia a juba de leões espertos.
Mas agora piso na medida dos limites: nada me fere.
Exorcizo os demônios que se fazem presentes no clarear do dia.
A noite, tenho meu amor. Amor que se faz sonho na claridade da lua
ou da luz das estrelas.
Amanhã é outro dia...

Madrugada

A madrugada ilumina o céu num clarão estonteante.
O sono não existe e os sonhos há tempo já se foram.
O silêncio da casa acalma o coração iridescente com a luz que vem de fora.
Slow food! É isto: vou preparar o alimento do físico que acompanhará o desgastar
macio do intelecto.
O café coado exala seu cheiro pela casa, permitindo que o desejo salive de vontade de beber do seu mistério.
A madrugada tem seus segredos e estrelas ainda ajudam a iluminar o céu nesse parto de luz.
O canário belga arregala seus olhinhos, sem entender movimentos fora da rotina.
O mundo ainda vale a pena.
Basta esperar pelo seu canto que virá com o azul do céu.
Júlia Carolina. 20/04/2010