sábado, 7 de abril de 2012

FERREIROS

Ando vagando pelas teclas do computador e me deparo com a página do Borba.
Não do Borba Gato bandeirante, mas dos "Ferreiros" que decidiram abrir baús da memória e socializarem entre si, momentos vividos e fotografados pela retina de cada olhar e
pelas reminiscências doces de quem construiu e constrói um lugar.
Pelas ruas, crianças brincam sem a preocupação da modernidade.
Moça bonita mostra sua graça, pedalando sua bicicleta, com o vestido esvoaçante pelo vento gracioso, como a faceirice da mulher, que rodopia seus sonhos a cada movimento dos pedais.
Pela janela, casal idoso, de mãos dadas observam mais um evento: da porta da Capela do Arraial,um registro de uma cena de casamento, quando, com certeza um "lambe lambe" guarda o momento no olhar atento do fotógrafo cuidadoso e perspicaz. Ninguém foi esquecido...
E outra cena demarca a religiosidade do lugar... Filhas de Maria, abobadadas em torno dos padres, juram fidelidade à Fita Azul e à Maria... Quantas delas aguardam um marido e a mudança de fita...
Outras juram fidelidade eterna ao azul do céu dos Ferreiros.
O cacho de bananas caturra promete festa da boa! Bananinha frita pra todo mundo, e, claro, para os pássaros que gorjeiam pelos quintais fartos de frutas.
Carros do ano,fazem a alegria de seus proprietários. As fotos,em preto e branco, fazem a imaginação sonhar com as cores dos possantes que encaram a estrada poeirenta, mas arborizada.
Pensam que acabou? Não... São Sebastião desfila pelas ruas do lugarejo, abençoando as casas, as pessoas, os peregrinos que se curvam ante suas chagas.
Hoje, Ferreiros se deliciam com as fotografias postadas uma a uma por seus moradores.
"Cê lembra fulana? o dia estava assim"... Não Beltrano! Veja bem! Pensa direito... o terno era azul! Ou branco?
A bicicleta era feminina... Vê lá se cumpadre ia deixar a filha dele andar em quadros?
E as perguntas se desenrolam pelas cabeças, fios puxados por Clio e Ariadne, deuses da memória...
Foi Borba quem fez isso? Não!!! ele passou por lá buscando esmeraldas que hoje estão presentes nos olhares das crianças!
Hoje, Ferreiros está em ebulição... Borba Gato arregala os olhos: perderá a majestade?
Não sei! As identidades do lugar começam a aflorar e a remexerem as memórias das pessoas. Tudo é possível!

quinta-feira, 29 de março de 2012

RECOMEÇO

Palavras soltas, segredos não violados de uma vida vivida em fragmentos durante anos: cada um em seu pedaço.
De repente, não mais que de repente, a voz trazida do passado revira a alma da mulher.
São lembranças suaves que amortecem dores que feriram almas duplas, em sentimentos unidos, mas paralelos.
Um hiato: cada um em seu jardim plantou flores e arrancaram ervas daninhas a ferir corações sensíveis e amadurecidos pela dor.
Buscas aflitas, incertas, sofridas, às vezes enganadas com a doçura da ilusão.
Não só a mulher viaja: seu homem também. A cada momento de prosa, reminiscências afloram e pedem passagem: ternura que ternuriza os corações de dois adultos que se amam desde criança.
Não são devaneios. Mas a delícia de se reconhecerem no presente.
Não tão jovens. Rugas, cabelos brancos que se encontram na plenitude.
Achegue-se, meu homem. No fundo esperei a vida inteira por esse momento, assim como você me levou embalada em seus sonhos.
Eu sinto que sonhou: leio seus olhos, como decifras as esmeraldas que te querem aqui, passo lento, abraço suave, mãos dadas, passos sintonizados, deixando marcas na areia branca...
O passo é lento,mas a areia mais macia, porque o caminhar é suave!

terça-feira, 27 de março de 2012

Sonho da Sexta- Feira

Hoje "descasquei cebola", pétala por pétala, conhecendo a maravilha de uma raiz tão original...
A cada camada, analisei sonhos, verdades e verdades, ensinadas por Rubem Alves.
Nada me escapou de todas as fantasias representadas por cada pétala da cebola:
Babete que prepara a mesa, louças e taças cheias de vinho branco... Será?
O alimento enfeita a mesa e saliva a boca doce que se escorre pelo avental bordado de florinhas, inspiradas nos versos de Cora Coralina.
Corpos suados se abraçam,numa mistura de desejos atingíveis, palpáveis e desenhados a cada minuto da vida, a cada dia que se foi no ato da espera.
Baruchear, eis o verbo que se conjuga a dois, em relâmpagos que clareiam a noite de uma lua que cresce...
Cresce, Lua, abraça por inteiro a criança que se faz mulher agora...
Lua, luar, lual a iluminar a vida que se abraça numa taça que não é de vinho.
E Barucheando, vamos noite afora, entre risadas contidas e gargalhadas escandalosas!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Agora

O desejo aflora-se violentamente ao ouvir palavras hedonistas ao pé do ouvido.
Esqueço-me de decisões definidas, definitivas, no momento da dor.
Palavras deliciosas que levam a momentos vividos deliciosamente a dois...
Definidas, definitivas, deliciosas, deliciosamente, vivo o agora
Agora, quando começa a preparação para a sexta, que não é mais quarta, nem cheia, muito menos crescente.
É nova. Novamente tudo é azul e o céu acobertado de estrelas.
Avental... florido, poetizado, cobre o corpo da mulher que aguarda flores, floridas em pleno outono.
Querido, querido, estou e estarei sempre aqui.
E aqui, cato tesouros entre palavras ditas por nós.
E agora, acordo para o agora, que faz de mim uma mulher.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Liberdade.

O coração perde o peso de pecados cometidos e não cometidos diante da lucidez da alma.
Mimmo canta acompanhando a brisa que rola pela casa e o perfume de rosas brancas que acalantam seu coraçãozinho de pássaro companheiro, a responder pela voz que o chama de amor.
Tudo caminha para a normalidade, com sabor de paz, colorida de azul,
azul da cor do céu de abril.
Estou leve. Pressinto a claridade da alma, trabalhada com carinho por pessoas especiais, mentores sábios e caridosos, a perceberem a menina que se fez mulher diante
das correntezas do rio e pó cinzento de chaminés.
Vou atrás da brisa mansa, do marulhar das águas do rio, dos pés descalços entre pedras, capistranas e ipês amarelos.
Vou em busca da paz "de criança dormindo", do riso calmo, do cabelo sem papelotes e do vento que assopra da direção do rio. Levarei Mimmo comigo... E nos jardins do "portão" ele será solto e voará livre em direção ao infinito.

sábado, 3 de março de 2012

ADRIANA

Como homenagear uma mulher doce, amiga, real, guerreira,
que faz da sua vida um regato de águas refrescantes,
amortecendo a dor dilacerante, estúpida, a sangrar coração?
Mulher de garra, ama a família, supera desafios,
arregaça as mangas a cada movimento brusco no horizonte, na terra,
na alma...
Mulher , gerou um filho, "dom de Deus", neto de duas mulheres
que apagaram dos olhos azuis e verdes, quaisquer vestígios de tristeza...
Continuo nas reticencias....
Nossa história presente e contínua, nas alegrias, visitamos Cora Coralina
percorrendo os becos de sua Goiás, entontecendo almas de prazer diante
a delicadeza das memórias de outra mulher...
...as reminiscências são como Madeleine...
Proust deixou marcado nos corações de quem ama...
Tenho uma filha... gerada na eternidade...
Volta para mim, emprestada pela sua mãe sanguínea, abençoada por permitir
esse amor iluminado...
As reticencias não param... serão brindadas com vinho cedido pelos deuses que a
trazem no colo... Tim Tim!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Madrugada

Madrugada.
Dormir pra que?
O silêncio recebe o aconchego da música que ilumina a alma.
Sem vagalumes, sem estrelas, sem luar.
A madrugada acende a lucidez dos pensamentos que atormentam a vida mal vivida.
E a luz se explode como fogos de artifícios, iluminando a manhã.
Manhece... manheço também.
A tonalidade rósea da manhã traz a explosão da vida que de pirracenta se faz mulher...
Mulher de alma teimosa que se derrete ao som de Mozart.
Mozartear... bailar fragmentos da alma que se arrepia de prazer.
Levita o coração entre sons inimagináveis aos ouvidos, ao coração,
a um sentimento que se chamam amor.
Mais que isso. Amor não acorrenta.
voa livre pelo espaço sideral.
Liberta do sono, danço na maciez de nuvens que aconchegam a fragilidade da muylher.
Enquanto isso,saboreio gotas de vinho.
E a luz se faz presente.