terça-feira, 13 de abril de 2010

Não quero ser rodeada pelo medo.
O mundo gira, momentos bons entranham na vida
e a razão fala mais alto, apesar da poesia.
A luta corre em busca de versos condizentes com o prazer.
Ele é tão simples: baseia-se na ternura de um olhar, no sim
de alguém que entende momentos, de ritos de passagem "as vezes de perda".
Mas o amor e o canto trazem pra perto soluções que você achava impossíveis.
Impossível é não crer no sim, na verdade divina que rodeia o coração.
Coração que cavalga na sensatez da vida, apesar da persistência da poesia.
A poesia diz sim à razão.
E a razão torna-se doce com a chegada do amor.
Amor passageiro, amor diluido na sensatez do toque coberto da meninice
do afeto quase infantil.
E viva o amor que traz a razão...
Razão esta que não embobece o coração.
Deixa-o viver, entre sorrisos e sono entontecido da razão!
Razão...

domingo, 11 de abril de 2010

Chamas

Hoje o coração ardeu em chamas:
Olhar em volta ou fugir em busca do sonho.
Em volta, leões rugem.
Na imaginação a casa é cheia de flores e amigos.
Vinho seco acompanha o peixe feito com maestria.
Mas o rugido é feroz e olhos arregalados apavoram a menina.
Menina que insiste em não crescer.
O mundo da lua é seu faz de conta e a luz etérea abraça a vida,
Vida encantada, rodeada de argumentos doces,
faz de conta que assusta a concretude:
Esta menina não tem jeito: Vive no mundo da lua,
entre bromélias, hortências e o canto mavioso do canário belga.
Acorda menina! Acorda, mulher!
O leão é domável e para a escuridão, existe a lamparina...
Lamparina que faz dançar a sua luz ao som do violino!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Madrugada

Meu leão dorme.
Aquietou-se com afagos medicamentosos
e confidências proferidas no divã.
Dores, feridas abertas se fecharam diante de palavras sábias do guru.
Mas vários leões existem pelo mundo vadio da dor.
Pessoas sofrem com seu rugido e unhadas ferozes.
E a calma que acariciava a vida transforma-se:
Medo, solidão brotam do fundo da noite.
Madrugada chega sem que o sono brote da alma.
E esta alma fagueira transforma-se em breu.
Breu sem estrelas e um vento frio a soprar a dor.
Solitude? Não. Solidão.
Júlia Carolina. 08/04/10

terça-feira, 6 de abril de 2010

Bem te vi

De vez em quando brinco de esconde esconde...
Esconde sentimentos, esconde alma que
de transparente fica obscura.
Mas o coração serelepe brinca de pula pula com a juventude que me falta:
Falta não: os anos dizem que sim, mas o coração palpita e canta como um bem te vi:
Bem te vi dourado que se banha nas águas mornas da piscina e repousa nos galhos da mangueira.
Bem te vi serelepe, acolhe o bem querer e desfolha o bem me quer...
Bem te vi danado que transborda de alegria um coração magoado,
ferido pela insensatez do mundo.

terça-feira, 30 de março de 2010

Ciganear

Ciganear é rodar a saia
E usar a boca bem vermelha.
Boca vermelha de paixão pela vida,
paixão pelos sentimentos que brotam
e rejuvenescem a alma.
Ciganear é viajar pela memória e trazer a tona
reminiscências de um passado distante.
Passadiço para os dias de hoje que são meus;
dias coloridos e debochados à luz da lua.
Gargalhadas ciganas em torno de uma alma,
que, de outro mundo beija a boca da noite.
E a lua, mais que brilhante alumia a cigana
ciganeando em torno da vida,
agradecendo a sorte que a fez mulher.
Sonoridade gratuita e feliz de ser mulher,
Mulher de lábios vermelhos
E cabeça de menina.
Menina que rodopia a saia e beija amores
com sua boca estonteante de prazer!

segunda-feira, 29 de março de 2010

Os pensamentos enovelam a cabeça,
deixam neurônios truncados
e sentimentos confusos.
Não acredito que nasci pra ser sozinha:
sonho com um campo de margaridas
e despetalo o mal me quer...
meu bem querer existe.
Suas mãos afagam o cabelo
e me chama:- Vem ,princesa!
Corro feliz entre flores,
pois de esperta não tenho nada!
Sou mulher clariciana: ama e vive.
"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento".
Enquanto vivo, suspiro a dor da solidão
Aguardo o amor que despirá minha alma
E deixará o corpo nu de paixão...
Pernas entrelaçadas, pés dados, terão os dedos sorridentes!
Não disse que caminho num campo de margaridas?

sábado, 27 de março de 2010

Não conheço a cor dos olhos do amor.
Siquer conheço o som da sua voz.
Mas conheço o tamanho do coração
que se destrincha em medos, desejos e ternura.
Ternura que me faz desejar estar com o amor
E deixar transparecer o coração apaixonado.
O meu amor é carente como eu.
E o meu amor tem o coração apaixonado pela vida.
Vida que se desfaz em mistérios,
mistérios se vestem de luz
e se abraçam pelas teclas do computador